A Raízen (RAIZ4) divulgou sua prévia operacional referente ao terceiro trimestre da safra 2025/26, revelando um cenário de contrastes entre a resiliência na distribuição de combustíveis e os desafios produtivos no segmento de bioenergia. Este relatório analisa os dados preliminares não auditados, destacando as mudanças estratégicas no mix de produção e o avanço tecnológico com o etanol de segunda geração.
O desempenho operacional da companhia reflete a execução de seu plano estratégico em um ambiente de mercado complexo. Enquanto a distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina apresentou expansão, o braço agrícola enfrentou adversidades climáticas que impactaram a moagem de cana-de-açúcar. A gestão optou por priorizar a rentabilidade através de um mix de produção mais açucareiro, aproveitando os preços favoráveis no mercado global.
Distribuição de Combustíveis: Expansão e Eficiência
No segmento de Mobilidade, a Raízen registrou um crescimento sólido nos volumes comercializados. No Brasil, o volume médio estimado atingiu 7.600 milhares de m³, impulsionado pelo combate ao comércio ilegal. Na Argentina, a normalização da produção após paradas programadas na refinaria elevou o volume para 1.805 milhares de m³.
Desempenho por Região
- Brasil: Crescimento alinhado ao plano operacional e melhoria no ambiente competitivo.
- Argentina: Recuperação de volume após conclusão de manutenção em ativos de refino.
Bioenergia e Agroindústria: Desafios Climáticos e Estratégia de Mix
A moagem de cana-de-açúcar acumulada nos primeiros nove meses da safra totalizou 70 milhões de toneladas, um volume inferior ao ciclo anterior. Essa redução é explicada por uma combinação de fatores climáticos adversos e decisões estratégicas de otimização de ativos.
| Indicador de Produção (9M) | Participação no Mix |
|---|---|
| Açúcar | 53% |
| Etanol | 47% |
Fatores de Impacto na Produtividade
- Clima Adverso: Períodos de seca e queimadas na safra anterior reduziram o vigor do canavial.
- Fenômenos Térmicos: Ocorrência de geadas em regiões estratégicas no início desta safra.
- Gestão de Ativos: Venda estratégica de 2 milhões de toneladas de cana para otimização operacional.
Destaque Tecnológico: Etanol de Segunda Geração (E2G)
Um dos pontos mais positivos da prévia foi o desempenho do Etanol de Segunda Geração (E2G). A produção mais do que dobrou, saltando de um patamar próximo a 50 mil m³ para mais de 100 mil m³. Este avanço é um reflexo direto da maturação das novas plantas industriais e reforça a liderança da Raízen na transição energética global.
Impactos na Cogeração de Energia
A menor disponibilidade de biomassa, decorrente da redução na moagem, impactou diretamente a cogeração de energia. A produção de eletricidade a partir do bagaço da cana totalizou 1.656.000 MWh, apresentando uma retração lógica frente ao menor processamento de matéria-prima nas usinas.
Calendário de Resultados
- Período de Silêncio: Início em 29 de janeiro de 2026.
- Divulgação dos Resultados Auditados: 12 de fevereiro de 2026, após o fechamento do mercado.